Escritório sustentável

A Volkswagen resolveu aplicar o conceito de sustentabilidade em seus escritórios. Resultado: não só mudou toda a estrutura da unidade fabril de São Bernardo do Campo, como criou um padrão a ser seguido por toda a empresa.

As medidas envolveram uso inteligente do espaço físico, projeto de iluminação e instalação de móveis de produção sustentável. A primeira parte do projeto reformou 35% dos 62.800 m2 de escritórios e já reduziu em 17% o consumo de energia.

Espaço físico mais eficiente
O que foi feito: o escritório foi pensado de forma estratégica para melhor aproveitar o espaço, reduzir o tempo de circulação dos profissionais e facilitar o acesso às áreas, com isso a mesma área que antes era ocupada por um setor, passou a ter dois. Um ganho de espaço de 30%.

Iluminação “verde”
O que foi feito: melhor aproveitamento do espaço físico, instalação de lâmpadas de 28 kw, uso de luminárias individuais para complementação, adoção de cores claras nas paredes e melhor aproveitamento de luz natural com o auxílio de persianas.

Tecnologia com menos impacto
O que foi feito: instalação de ar condicionado que não utiliza gás CFC (Clorofluorcarboneto) e possui baixo consumo de energia; aquisição de monitores LCD configurados para desligamento automático quando ociosos; e adaptação de impressoras para uso da função frente e verso.

 por Mauricio Miranda
IMAM

Soluções com foco sustentável e logístico

Conheça três inovações disponíveis no mercado que podem facilitar a operação, reduzir o impacto no meio ambiente e facilitar o crescimento sustentável.

Motor 80% menos poluente
Desenvolvido pela Ford, em parceria com a Cummins, o novo motor Euro 5 promete reduzir em 80% as emissões de caminhões da linha Cargo 2012. O feito é possível graças à tecnologia SCR (em português Redução Catalítica Seletiva ), que faz o pós-tratamento dos gases de exaustão, reduzindo o índice de NOx (óxido de nitrogênio) da combustão. Mas para isso é necessária a injeção do aditivo ARLA 32, solução aquosa e não tóxica que poderá ser encontrada em revendedores Ford, Commins e postos de combustível. O motor também promete ser entre 5% e 7% mais econômico que os modelos anteriores.

Gás para caminhões
Ligada a Petrobras, a Ecomotors tem feito parcerias com transportadores para a adoção do gás natural em caminhões e demais veículos de carga. A ideia é que a empresa se responsabilize pelo equipamento e sua instalação, enquanto as grandes transportadoras apenas adquirem o combustível. A solução está em teste na Braspress, onde um caminhão da frota foi adaptado à tecnologia. Além de menos poluente, o gás natural (ainda) garante redução nos custos.

Armazém de grãos mais econômico
Com a promessa de reduzir em até 40% o consumo de energia nos armazéns de grãos, o software desenvolvido pela DroiTech, uma empresa pertencente a Incubadora Tecnológica da Universidade Estadual de Londrina (Intuel), no Paraná, já está em comercialização. Por meio de análises do sistema de termometria e aeração dos grãos, o software identifica o nível de umidade ideal para os grãos e converte o dado em comando para os armazéns. A cada variação externa ou interna, os sistemas de areação e termometria são reajustados até adquirir as condições ideais de umidade. Além de reduzir o consumo de energia, o software evita a perda de grãos.

 por Mauricio Miranda
IMAM

Portos com menos emissão

Quando se analisa as emissões de um modal de transporte de cargas, o foco se direciona quase sempre aos veículos ou meios de transporte – o que de certo modo não está incorreto. No entanto, as pessoas se esquecem de que por traz de um caminhão ou de um trem há outros equipamentos que liberam gases de efeito estufa (GEE) e elevam os índices de emissões das empresas.

É o caso dos portêineres que movimentam diariamente milhares de cargas nos portos brasileiros e ainda são movidos a combustão (diesel), aumentando os índices de GEE do modal marítimo. No entanto, há possibilidades de mudanças, isso se outros portos seguirem o exemplo de Salvador, que adquiriu recentemente três portêineres elétricos, da ZPMC. Os novos equipamentos além de aumentar a produtividade do porto da capital baiana em 30%, reduzem a zero as emissões da operação. Pense nisso!

por Mauricio Miranda
IMAM

Veículos verdes não passam pela politicagem

Recentemente, os jornais publicaram que a Toyota estava tentando trazer o Prius para o Brasil. E é logico que, assim como fez em outros países, a montadora japonesa queria incentivo tributário para aumentar as vendas do veículo ­– uma estratégia que o tornou popular em quase todo o mundo.

Mas uma certa movimentação entre o setor privado e o governo não permitiram a redução do Imposto sobre Produto Industrializado (IPI), o que poderia fazer o veículo chegar ao preço de R$ 90 mil, (ainda bem salgado para um carro vendido a US$ 20 mil nos EUA e já considerado ultrapassado por lá).

O pior é que esse não é o principal problema, o grave é que talvez a aprovação da isenção tenha encontrado uma pedra no meio do caminho chamada etanol (ou Conselho Interministerial do Açúcar e do Álcool [CIMA]) um projeto muito bom para o setor, mas que não atende a redução das emissões de gases de efeito estufa (GEE) que um híbrido permite e ainda não inclui os veículos de carga de forma geral e eficiente.

O outro problema é que essa mesma “pedra” acaba desencorajando outros fabricantes, como os de caminhões e veículos leves de carga, a trazer modelos mais eficientes para a ultrapassada, cara e cambaleada frota brasileira.

A solução seria simples e, inclusive, já é adotada em muitos países: o menos poluente tem mais incentivo tributário. É lógico que dessa forma os veículos flexs perderão vendas, mas isso faz parte do desenvolvimento tecnológico e econômico. E a indústria sabe disso e sabe também que pode evoluir, assim como está evoluindo em outros países, aumentando a oferta de híbridos e desenvolvendo o mercado para a adoção dos veículos elétricos. O difícil de aceitar é produzir veículos baratos e mais poluentes só para injetar no Brasil e, assim, aumentar as margens de lucro de matrizes magrelas e ainda não permitir a ascensão ou a inclusão de novas tecnologias.

Por isso, sem pensar na politicagem como razão é quase impossível entender o por quê ainda estamos nos arrastando no quesito veículos limpos.

 por Mauricio Miranda
IMAM

Supermercados: os riscos do desembarque

Nas grandes cidades, onde há muita circulação de veículos e pessoas, como São Paulo, a falta de planejamento (e espaço) para áreas comerciais, especialmente supermercados, tem tornado o desembarque de mercadorias um risco tanto para os operadores de carga quanto para as pessoas que circulam por esses pontos de venda.

Isso porque a ausência de áreas reservadas para o recebimento de produtos força os fornecedores a utilizarem calçadas, ruas e estacionamentos reservados aos clientes (e até os de idosos) para abastecer os supermercados. Em grandes avenidas, os riscos de acidentes, como atropelamentos, são constantes. É o caso da avenida Vital Brasil, na região Oeste da capital paulista, onde uma rede de supermercados faz os operadores de carga movimentarem as caixas de produtos na mesma área em que há um ponto de ônibus, com grande volume de pessoas e veículos, estacionamento de clientes e display de frutas e flores.

Esse excesso de interferência geralmente dificulta a visão dos operadores, prejudica a movimentação dos transpaletes e pode causar acidentes, sem contar a possibilidade de atrasar o abastecimento e danificar os produtos, impactando de forma negativa no crescimento sustentável.

A solução pode estar na cooperação entre fornecedores e pontos de venda e na criação de áreas específicas para carga e descarga de produtos. Planejamentos devem fazer parte da realidade dos pontos de venda que operam sobre essas características, afinal o aumento da população e do número de veículos rodando pela cidade já não permite improvisações.

por Mauricio Miranda
IMAM


Caminhões novos. Mas e os velhos?

A Veloce, operador logístico com experiência no Brasil e na Argentina, está com uma iniciativa muito bacana: decidiu reunir as principais montadoras de caminhões do Brasil em uma espécie de show room, com o objetivo de apresentar novos modelos (em condições especiais de preço) a motoristas e transportadoras que oferecem serviços terceirizados à empresa.

Com o nome de “Clube de Oportunidades”, a operadora espera contribuir para a renovação da frota e, consequentemente, para a redução das emissões de gazes de efeito estufa (GEE), que incidem com mais frequência em caminhões com muitos anos de uso.

A ideia é ótima e deve servir de exemplo para outros operadores logísticos dependentes do transporte rodoviário de carga. O problema, nesse caso, é que o projeto não fecha o ciclo, como deve ser a preocupação das iniciativas focadas em sustentabilidade. Não há informações do que será feito com os caminhões substituídos, se esses continuarão velhos e poluentes ou se serão reciclados ou retirados de operação (ou essa informação não foi divulgada pela empresa).

O que se pode imaginar, pois é comum no meio, é que esses veículos serão vendidos para empresas ou profissionais que estão começando no setor e, provavelmente, serão revendidos mais duas ou três vezes. E a preocupação com o índice de poluição reduzirá a cada negociação. Ou seja, a empresa da ponta deixou de emitir GEE, mas outras podem estar ampliando o problema. Por isso, pensar em sustentabilidade, significa pensar no todo (no antes, no durante e no depois). Repassar o problema não é a melhor solução.

*O blog consultou a Veloce e está aguardando o retorno, assim que tiver uma posição da empresa sobre o projeto, a publicará.

 por Mauricio Miranda
IMAM


Olhe para sua equipe

Não é de hoje que os setores que lidam com prazos (cada vez mais enxutos) são os mais estressantes para se trabalhar, como é o caso da logística. Também não é de hoje que esse comportamento aumenta de valor com a chegada do fim do ano, em que a maior parte das operações elevam a carga de trabalho para atender os anseios do consumo e fechar as metas anuais em alta, sem deixar um sinal de fracasso para trás.

É lógico que quem está na chuva é para se molhar e que a forte pressão faz parte da atividade. No entanto, se a empresa não olha para sua equipe e tenta compreender como o processo está se desenvolvendo, se há equilíbrio entre as funções, se há líderes delegando, se todos estão sobrecarregados, se o clima de estresse já se espalhou, entre outros pontos, pode-se perder uma grande oportunidade de curar uma equipe “doente”.

Cuidar da qualidade de vida do profissionais também é uma questão de sustentabilidade. Não é suficiente coletar água da chuva, descartar corretamente os resíduos ou aderir a luz natural para ser uma empresa sustentável. É preciso também também evitar afastamentos por estresse, acidentes de trabalho (às vezes, causados pelos excessos da função) e depressão. Por isso, GANHE tempo parando alguns minutos para avaliar o cenário profissional da sua operação, como estão alocadas as funções, se são necessárias novas contratações, se a equipe tem sugestões de melhorias, entre outros sinais que podem afastar o desequilíbrio da equipe, elevar a qualidade de vida dos profissionais e a eficiência da operação.

por Mauricio Miranda
IMAM 

Locomotivas isentas de ICMS?

O governo do estado de São Paulo resolveu sorrir para o setor ferroviário de transporte isentando de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) os fabricantes de locomotivas de carga com potência superior a 3 mil HP. A iniciativa, que até parece boa, inclui inclusive os importadores ou exportadores de peças e locomotivas.

Para a sustentabilidade, qualquer incentivo ao setor ferroviário é bem quisto, como o programa Pró-Trens. No entanto, a política brasileira tem uma mania constrangedora de isentar tudo e a todos (graças a constantes pressões da indústria de olho no lucro) “acreditando” assim aquecer a economia desses setores. Às vezes, essa iniciativa até que dá certo, mas no caso dos trens, há dúvidas, como: por que isentar um setor caquético, velho e agonizante por recursos? Por que isentar um setor que mingua 29 mil km de ferrovias (menos que a Argentina que tem 35 mil km)? Por que favorecer apenas algumas empresas, já em operação, enquanto outras dezenas estão aguardando a possibilidade de investir no transporte ferroviário? Por que não reverter o dinheiro do ICMS exatamente para a melhoria e a ampliação das ferrovias? Por que o Governo de São Paulo não se alia a outros estados para a criação de um fundo de desenvolvimento do transporte ferroviário, incluindo as áreas ao redor das ferrovias, muitas vezes esquecidas pelo setor privado?

Por isso que, para crescer de forma sustentável, é preciso começar a criar consciência de que imposto deve ser utilizado para o desenvolvimento de segmentos carentes e que só podemos isentá-los quando esses já estiverem aptos a se tornarem uma das maiores malhas ferroviárias do planeta. Fazer jogo de troca a troca, no qual a iniciativa privada investe no que o governo é incapaz de fazer, enquanto o setor público os livra de impostos não é o melhor caminho. E, inclusive, cria-se um vício que perpetua de gestão para gestão, enquanto o setor ferroviário permanece na sarjeta do transporte de carga.

 por Mauricio Miranda
IMAM 

Reduzir, eliminar e enxugar

Esses três verbos, que ajudam a tornar as operações mais eficientes, talvez sejam o melhor caminho para conduzir uma empresa à sustentabilidade. Algo que a indústria já vem aplicando com o Lean Manufacturing, e que, de certo modo, tem influenciado a logística também.

No entanto, o setor logístico ainda carece de eficiência nesse quesito, pois muito do conceito de eliminação é discutido e aprovado entre quatro paredes de escritório, com meia dúzia de líderes e recheado de teorias e pouca prática.

Quando sai desse casulo é imposto como regra aos colaboradores. Um erro brutal, já que reduzir, eliminar e enxugar deve ser uma cultura do dia a dia, uma atividade rotineira de quem exerce a prática. Por exemplo, é o operador de empilhadeira quem precisa compreender que seu modo de conduzir o equipamento gera manutenções além do necessário e consomem mais bateria. Se a ele for apresentado o modo correto de dirigir, onde estão os erros e como conquistar os ganhos, será mais fácil enxergar os resultados.

Mas lembre-se: a reciclagem da equipe é constante, pois as operações lidam com seres humanos que erram, esquecem e desacostumam (um fato normal). Por isso, cabe a empresa estar presente, não com o dedo indicador para apontar os erros, mas com o conhecimento para dividir.

Então fica a dica: observe sua operação, convide os colaboradores para fazer o mesmo, identifique os desperdícios (sejam eles tempo, espaço, financeiro, etc.) com foco em sustentabilidade e eficiência operacional. Monte grupos de eliminação de desperdícios com os membros de cada área da empresa (independente do nível hierárquico). E só aponte um desperdício quando já houver uma medida para revertê-lo.

 por Mauricio Miranda

Empresa de palete ou de energia?

Quando se lê Suzano Energia Renovável (SER) não é difícil imaginar que se trata de uma empresa geradora de energia limpa. E até certo ponto isso não está errado, no entanto, a mais correta definição para essa indústria do grupo Suzano é fabricante de PALETES. Isso mesmo, a Suzano Energia Renovável será mais uma produtora de paletes a partir de 2013.

E por quê Energia Renovável no nome? Simples, os paletes desenvolvidos na planta da SER são destinados, após a aplicação logística, a produção de biomassa, que, consequentemente, produz energia para fábricas, comércios e até cidades. O mais incrível dessa companhia é o foco no destino final de seu produto, ou seja, por mais que faça paletes, a preocupação principal é gerar energia limpa.

O surgimento da empresa só foi possível após pesquisas que ajudaram a identificar o melhor modelo de árvore (mantidas em área de manejo florestal) para geração de energia, neste caso o eucalipto.

O mercado foco da nova fabricante de palete será a Europa, que já possui uma planta de geração de energia voltada para o consumo de biomassa.

Então fica a dúvida, será que as empresas de palete no Brasil só fabricam palete ou têm um grande trufo enérgico nas mãos, do qual só precisam saber usar?

 por Mauricio Miranda